Trinta anos depois
O tempo é intolerante, intransigente, cruel e não leniente. E aquele que fez o tempo vela sobre o que Ele falou, e não volta atrás a sua palavra.
Este ano fez trinta anos de um julgamento ao qual eu fui submetido. E não era para eu estar mais aqui neste mundo, não fosse o fato de aquele que me poupou por mais de vinte vezes da morte, ter intervido a meu favor e me guardado da indiscrição dos meus inimigos, os quais até comeram do meu pão.
Eles, os que eu tinha como meus irmãos, reuniram uma corte de sentença pela madrugada, e me consideraram “persona non grata”, ou pessoa indigna de conviver com eles, assim como o mundo foi indigno de conviver com Elias, razão porque Deus o retirou do mundo. Assim fez o meu advogado, mandou-me sair de lá, mesmo antes de eles formarem um bando para me excluir do meio deles.
Nessa corte, que votou pela minha exclusão, houve o voto de pessoa que não estava na tal corte de sentença, mas que assentou a sua assinatura na certidão que foi lavrada de conluio, dando o seu aval e concordância à decisão de todos.
Dos que participaram e outros que concordaram com a sentença condenatória, alguns já estão no pó da terra, outros caíram em desgraça, e outros se extraviaram por iniciativa própria ou não.
Estive calado por todo esse tempo, pois eu esperava que os tais não fossem apenados com rigor por aquele que é juiz e também advogado.
Sinceramente, eu desejava que eles pudessem “cair na real”, e alcançassem lucidez, e pudessem se arrepender de ter se levantado soberbamente contra aquele que eu ainda sirvo.
Eu sei que muitos esperavam o meu fim, já que me odiavam, como disse o meu advogado por um vaso do próprio meio deles. E é provável que alguns que ainda estão escapando das mãos do Deus vivo, me tenham como inimigo, não obstante eu não ter defraudado a eles como eles me defraudaram, se apropriando de bem e imóvel meu.
Lamento que houvesse joio no lugar onde só deveria ter trigo, já que o joio é semeado no mundo não na igreja.
Apesar da agressão sofrida do principal do rebanho, e das ameaças de outros, os quais queriam me surrar, eu nunca pretendi sair do meio deles, o que me foi determinado por aquele que passeia nas igrejas.
Ainda hoje ocorre o que ocorreu há milhares de anos com o próprio mestre, que foi morto por decisão dos seus representantes, sacerdote e sumo sacerdote, que induziu o povo a anuir com a sentença de morte do autor da vida.
É triste ver que no lugar onde deveria se reunir os cidadão dos céus, se reúna todo tipo de gente egoísta e gananciosa.
Eu sei que eu sou pó e cinza, mas eu fui escolhido para sofrer por amor daquele que me escolheu. Por isso não choro, apenas lamento por eles.
O justo juiz dará a cada um segundo às suas obras. A fé não é de todos, e o juízo ou sensatez também não.
Guarulhos-Sp, 13/09/2025
Oli Prestes
Missionário
oliprest
Enviado por oliprest em 12/09/2025