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A fuga necessária
Acaso para que alguém demonstre coragem, seria necessário enfrentar feras que o assediam? Não configuraria isso uma temeridade? Afinal, como bem pondera a sabedoria popular, mais vale um cão vivo do que um leão morto, e mais vale o prudente vivo do que o herói sepultado.

Essas máximas resumem como a cautela e a prudência são atitudes louváveis. O jargão corriqueiro de que “quem não deve, não teme” — frequentemente usado para induzir alguém a não recuar diante de um perigo iminente — não me parece razoável sob a perspectiva da preservação da vida.

Quando Herodes intentou a morte do menino Jesus, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, Seu tutor terreno, e ordenou que ele fugisse para o Egito. Mais tarde, quando aqueles que buscavam a morte da criança deixaram de existir, o anjo apareceu novamente a José e instruiu-o a retornar (Mateus 2:13, 19-20). Deus teria o poder absoluto para exterminar imediatamente os perseguidores de Jesus, mas preferiu não fazê-lo, deixando-nos um exemplo prático de que é preciso agir com extrema prudência.

Anos depois, quando Jesus já exercia o Seu ministério público, Ele reforçou essa conduta ao deixar uma instrução clara aos Seus seguidores: “Quando, pois, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra” (Mateus 10:23).

Assim, depreende-se que nem sempre a retirada significa covardia ou fraqueza; muitas vezes, ela representa estratégia e sabedoria espiritual.

Portanto, é insensato pretender enfrentar um bando de leões sozinho, mesmo estando armado. E visto que as armas da lei humana se tornam completamente inúteis quando os seus magistrados são corruptos, é infinitamente melhor retirar-se para preservar a existência do que se deixar lançar por vaidade às feras na arena.

Guarulhos-Sp, 31/10/2026

Oli Prestes
Missionário
oliprest
Enviado por oliprest em 31/10/2026
Alterado em 31/10/2026


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Imagem de cabeçalho: raneko/flickr